
Ele quase nem se movia...Quase não respirava. Ver era a única coisa que podia fazer ali. Envolvido em memórias e coisas materiais, via-a passear-se pelo quarto. Quase nua, ela flutuava, flutuava, abraçada ás suas palavras, abraçada à noite. A noite que era deles, a noite que era a única porta aberta naquele labirinto de encontros. Pálido, aproximou-se... Pediu baixinho para ela parar... Ela não o ouviu. Reparou que a sua foto estava junta com o resto do mundo em cima da mesa. Ela flutuava na sua direcção. Agarrou-a com todo o cuidado e abraçou-a. Abraçou-a numa união eterna, cheia de luz e magia. Ele reparou que a foto ardia nas suas maos, e que o fogo rapidamente passou para os seus pulsos. Ela caiu na cama... Fragil e delicada, como um bocado de tecido. As suas mãos, queimadas e ainda em fogo, começaram a percorrer-lhe o corpo... O fogo alastrava, não dava sinais de querer parar. Ela ardia, ardia, ardia... A sua boca soltou um gemido. A sua voz vinha misturada com as chamas. Sem dar conta, ele, estava a pairar no ar bem próximo dela. Não entendia porquê, mas algo o aproximava dela... Passados minutos só se reconhecia um corpo. A manhã e a luz do dia entraram pela janela. Apenas encontraram cinzas e os restos de uma foto imperceptível...
Diogo.
António Franco Alexandre "Duende"